Cuidados para assentamento de porcelanatos de grandes dimensões

Desde o manuseio até o assentamento, as belas e delicadas peças têm espessura menor do que as pequenas e desafiam os mais especializados profissionais. Conheça boas práticas


O assentamento de porcelanatos de grandes dimensões requer conhecimento e mão de obra especializada (foto: jorgeflorez/Shutterstock)


No mercado nacional, há peças de porcelanatos que chegam a mais de 5 m² para instalação no piso ou fachadas, com ótimo resultado estético. Sua principal vantagem é reduzir ou até eliminar os rejuntes, dependendo da área do ambiente em relação à do revestimento. “É material delicado que, se não souber manipular, pode quebrar antes mesmo de desembalar”, observa o professor Ednei de Almeida Mendes, da escola Senai Orlando Laviero Ferraiuolo.


Essas peças de porcelanato devem ser retiradas das caixas com o auxílio de suportes e ventosas, e com os cantos protegidos. É preciso que sejam transportadas na vertical por, pelo menos, duas pessoas. “E apoiá-las em calços de madeira espaçados, de acordo com o tamanho das peças, ou em cavaletes fabricados para essa finalidade, além de seguir as orientações do fabricante”, ensina, apontando, também, para a necessidade de uso de EPI e para a postura corporal para o transporte de carga.


ASSENTAMENTO CUIDADOSO

O assentamento do material requer conhecimento e mão de obra especializada. Para receber o revestimento, é preciso atentar para o preparo correto do contrapiso que deve estar seco, rugoso e limpo, ou seja, sem pulverulência ou impregnação de substâncias gordurosas. O assentamento das placas cerâmicas só deve ocorrer após um período mínimo de cura da base.


“Pode parecer que, por serem peças grandes, a execução é mais produtiva e rápida. Mas é o contrário”, afirma. É o caso, por exemplo, de uma peça ter ficado 1 ou 2 mm mais baixa do que deveria no momento da colagem. Se for removida para ajustar o volume de argamassa, poderá quebrar.


Grandes e delicados, esses porcelanatos são, em geral, mais finos do que os de menor tamanho. “As espessuras variam para peças menores, abaixo de 60 x 60 cm, que vão de 7 mm até 12 mm. Já as maiores, que chegam a dimensões como 120 cm x 300 cm, são produzidas com o mínimo de 4 mm. “Provavelmente, para aliviar o peso da peça tanto para o manuseio quanto sua aplicação”, diz Mendes, comentando que, devido às suas características, esse é um material de mais difícil assentamento em fachadas.


Aspecto importante do contrapiso que vai receber o porcelanato é evitar a mínima inclinação, condição que poderá comprometer o acabamento. O professor dá como exemplo um banheiro com área do mesmo tamanho do revestimento, mas com ralo em um dos cantos. “A peça vai se apoiar em três cantos, menos naquele que fica mais baixo – o do ralo”, diz. O problema ocorre com peças já a partir de 0,60 x 0,60 m e se torna visualmente perceptível.

DUPLA COLAGEM

Os porcelanatos de grandes dimensões figuram entre os revestimentos que exigem dupla colagem, de maneira a garantir argamassa suficiente e colagem completa. A ABNT NBR 13753 não classifica as placas cerâmicas quanto ao seu tamanho, porém, em função da área da superfície das placas cerâmicas, define o tipo de desempenadeira dentada e o procedimento de execução dos serviços de colagem. “Nesse contexto, as medidas de referência que definem os processos são as placas cerâmicas 20 x 20 cm e 30 x30 cm”, afirma, lembrando que a norma técnica data de 1996, portanto, não abrange os grandes formatos, materiais mais recentes no mercado.


“Esse cuidado se deve ao empenamento das peças e à tolerância de execução da base, além de reentrâncias presentes no tardoz de alguns tipos de revestimento”, explica o professor. A utilização da dupla colagem é obrigatória quando o revestimento possui reentrâncias em seu tardoz com profundidade superior a 1mm e quando a área de revestimento for superior a 900 cm². Com a dupla colagem, a aderência é garantida, evitando assim o descolamento das peças e espaços vazios entre a base e o revestimento.


Os fabricantes de argamassas especificam, entre os cinco tipos disponíveis (de AC-I a AC-V), as argamassas ideais de acordo com as dimensões das peças cerâmicas e seu nível de porosidade. “Os porcelanatos são quase impermeáveis, portanto, utilizam argamassa AC-III. Para grandes formatos, os fabricantes indicam as especiais que têm maior resistência para segurar o peso da placa, com maior adesão e resistência após a colagem”, destaca o professor, acrescentando que há fabricante que recomenda, por exemplo, determinada argamassa para peças de 200 x 200 cm no piso e, a mesma, para placas de 60 x 60 cm na fachada. Assim, a melhor orientação é buscar o catálogo do fabricante de argamassa para identificar a melhor para cada porcelanato e local de assentamento.


FERRAMENTAS ADEQUADAS PARA O ASSENTAMENTO

O professor Ednei Mendes lista todas as ferramentas necessárias para assentamento de porcelanatos de grandes formatos:


• Nível a laser

• Trena

• Estilete

• Lápis de carpinteiro

• Cortador manual adequado ao tamanho do piso

• Serra mármore

• Misturador elétrico de argamassa

• Furadeira

• Serra copos

• Niveladores de piso

• Ventosa

• Torquês para azulejista 6”

• Caixote

• Desempenadeira dentada 8x8x8 ou raio de 10

• Colher de pedreiro

• Martelo de borracha

• Espátula plástica para rejunte

• Bloco de espuma

• Balde graduado

• Broxa

• Linha de nylon

• Martelo de unha



Fonte: Ednei de Almeida Mendes – Técnico em edificações formado pela Escola Senai Orlando Laviero Ferraiuolo, tem experiência em construção e reforma de obras residenciais e comerciais. É instrutor de práticas profissionais no Senai-SP, na área de construção civil, ministrando aulas de Pedreiro Assentador, Pedreiro Revestidor, Carpinteiro de Formas, Armador de Ferro e Processos Construtivos nos cursos Aprendizagem Industrial e técnico - retirado de: https://www.aecweb.com.br/revista/materias/cuidados-para-assentamento-de-porcelanatos-de-grandes-dimensoes/20797

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