A fissuração do concreto é uma ocorrência comum no ambiente de obra. Em muitos casos, surgem logo após a execução e, quando não são compreendidas corretamente, podem gerar insegurança ou interpretações equivocadas sobre a qualidade da estrutura.
Saber por que o concreto fissura, em que situações isso é aceitável e quando exige intervenção técnica é essencial para garantir desempenho, durabilidade e segurança — além de evitar retrabalhos e reclamações do cliente final.
Trinca, fissura, abertura: há diferença?
Na prática da obra, o termo “trinca” é utilizado de forma genérica. No entanto, tecnicamente, é mais apropriado falar em fissuras — especialmente quando tratamos de aberturas superficiais e estreitas, comuns em elementos recém-concretados.
De forma geral:
- Fissuras de retração são estreitas (inferiores a 0,3 mm), normalmente superficiais, e resultam de movimentações internas do concreto em processo de cura.
- Fissuras mais profundas ou com evolução ao longo do tempo merecem atenção especial, pois podem estar associadas a problemas estruturais ou de fundação.
Principais causas de fissuração no concreto
Embora não seja possível eliminar completamente a fissuração, sua ocorrência pode ser significativamente reduzida com planejamento adequado. As causas mais comuns incluem:
- Retração plástica: perda de água nas primeiras horas após o lançamento, especialmente em ambientes quentes ou ventilados.
- Retração por secagem: fissuração resultante da perda de umidade ao longo do tempo, agravada pela ausência de cura adequada.
- Fator água/cimento elevado: concretos excessivamente fluídos têm maior tendência à fissuração por retração.
- Ausência ou má execução de juntas de controle
- Variações térmicas intensas durante a cura
- Falta de uso de aditivos ou fibras que aumentem a resistência à fissuração
Quando a fissura exige atenção técnica?
Fissuras superficiais, com largura inferior a 0,3 mm e que não apresentam evolução, geralmente têm caráter estético ou natural da retração.
Entretanto, é necessário atenção quando:
- A abertura ultrapassa os limites recomendados por norma (ex: 0,2 mm em concreto aparente);
- A fissura apresenta continuidade e se propaga com o tempo;
- Está localizada em regiões críticas da estrutura (apoios, ligações, transições);
- Há presença de umidade, corrosão de armaduras ou recalque associado.
Nesses casos, a avaliação técnica é indispensável para identificar a origem e definir o tipo de intervenção.
️ Prevenção e soluções possíveis
Cada situação exige um diagnóstico preciso, mas algumas abordagens são recomendadas com frequência:
- Aditivos redutores de água e de retração: melhoram a trabalhabilidade e diminuem a tensão interna.
- Fibras estruturais (micro e macro): aumentam a resistência à fissuração por retração plástica e contribuem para o desempenho mecânico.
- Cura química eficiente: especialmente em ambientes com alta incidência solar ou vento.
- Selantes flexíveis: utilizados em juntas ou em fissuras inativas com movimentação previsível.
- Técnicas de injeção com resinas epóxi ou poliuretano: aplicáveis em fissuras estruturais com necessidade de restauração de monolitismo.
- Reforços com argamassas poliméricas ou produtos cimentícios especiais, em casos de comprometimento estrutural localizado.
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Fissuras fazem parte da realidade do concreto. A diferença está em saber interpretá-las — e agir com técnica.